quarta-feira, 20 de julho de 2011

É amar

 "All you do is love and love is all you do"

Pra quê tanta entrega, tanta intensidade, tanto sentimento?
Precisa mesmo tanto desejo, tanto querer?
Precisa mesmo euforia, não pode ser só alegria?
Não basta só contrariedade, tem de ser tristeza?
Não dá pra ser morno, tem de pegar fogo?
Não dá pra ficar na superfície, precisa mesmo mergulhar?
Não pode chegar devagar, precisa atropelar?
Não dá, porque não é só gostar.
É AMAR.




segunda-feira, 20 de junho de 2011

Volta outro dia


"I hear you're feeling down"

Hoje acordei e minha velha conhecida estava sentada ao meu lado, ali no lugar que é teu na minha cama. Ela sorria aquele sorriso tranquilo de quem sabe o seu lugar. Ela é forte e ela é várias ao mesmo tempo. Ela é todas as minhas inquietações, meus medos, meus arrepios, minha febre, minhas dores, minhas lágrimas, a falta delas, minha insônia, meu sono excessivo.
Ela havia mandado dizer que estava chegando na noite anterior. Ignorei, distraí, rezei, dormi, fingi que não. Mas ela sabe o endereço e sabe as portas por onde entrar. E quando acordei ela já tinha chegado. E sorriu, e sussurrou no meu ouvido não levanta, fica na cama um pouco mais, o que há de interessante lá fora? Não precisa comer, não tem necessidade, fica aqui. Listou meus medos e os reforçou. Não é boa que chega, inteligente o bastante, nada interessante. Não merece o que é bom. Me lembrou do meu medo de amar e do medo do amor ser apenas ilusão. Do pavor da da mentira, do engano e do abandono.
Se mostrou com rostos que me são queridos, com outros que me causam desconfiança, e com o teu que sempre me sorri. E em todos me mostrou mentiras e ameaças, traição e sarcasmo. Me contou histórias que me assustam, plantou desconfiança e tristeza.
E, quando mais uma vez ela sussurrou dorme só mais um pouco, e eu puxei o edredon e estava fechando os olhos, resolvi que hoje não. Já mandei essa metida cruel embora tantas vezes. Por que não mais uma vez, não é? Eu não preciso acreditar nas coisas que ela me diz. Prefiri acreditar em mim e no teu sorriso doce ao dizer que me ama. 
Acendi a luz e mandei ela voltar outro dia. Disse dá licença que hoje preciso viver.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

O que passou, passou



Tenho muito claro pra mim que cada época tem seus momentos bons. O que não quer dizer que todos estes fiquem na lembrança e muito menos que deixem saudade. 
Pessoas passam, momentos passam, problemas e alegrias passam. Há o que fique pra sempre ou por muito mais tempo, mas não vejo mais motivos pra lamentar o que ficou pra trás. Saudade se sente do que não deveria ter acabado, ou se acabou ou se foi antes do tempo. Saudade se sente de amigos que fazem parte de nossos dias mas não vemos tanto quanto gostaríamos. Saudade da família que não é possível ter sempre por perto. Saudade daqueles que se foram de repente numa viagem sem volta. 
Não sinto saudade do que fui ou do que vivi. Esses momentos me fizeram quem sou, me trouxeram até aqui, me possibilitaram novas descobertas, novos momentos bons, novos sentimentos. Essas coisas estão todas em mim. Não as menosprezo nem renego. As respeito muito, mas sei que passaram. Hoje, mais calma e possivelmente mais feliz, até me questiono porque corri tanto, falei tanto, calei quando não devia, briguei à toa. Mas sou resultado de tudo isso. E agora estou pronta para viver com muito mais serenidade o que a vida me trouxer. Algumas coisas talvez para sempre. Outras talvez, passageiras. Mas tudo será vivido plenamente, para que nada deixe saudade.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Bloqueio


Put it in your heart and keep it... 

Eu queria escrever mais. Juro que queria. Mas estou com bloqueio.
A felicidade faz isso. Bloqueia as palavras. 
As substitui por sorrisos bobos. Arrepios na nuca. 
Madrugadas de corpos enroscados. Sussuros e desejos satisfeitos. 
Mãos se procurando durante o sono. Pele quente encostada em outra que ferve. 
Olhares meigos. Intimidade e cumplicidade. Carinho e um pouco de medo.
Estou com bloqueio resultante de uma realidade tão doce que dispensa palavras. 
Porque viramos poesia em atos.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Vai




Acordei de um sono sobressaltado e olhei tuas costas perfeitas viradas pra mim no pouco escuro do meu quarto aquela hora da manhã. Teu cabelo de anjo no travesseiro. Sentei na cama no impulso de te acordar e, sem nem te dar tempo de pensar, pedir por favor, vai embora, não posso mais, não faz isso comigo. Não dorme mais abraçado comigo. Não toma do café que eu passar mais fraco porque tu não gosta forte demais. Não me dá beijo de bom dia quando a gente acordar e já for de tarde. Não fica pro almoço que eu fizer pra nós e que tu vai querer ajudar a fazer porque tu gosta de cozinhar tanto quanto eu. Não me deixa achar que isso é real, se na verdade não é.
Contrariando o desespero que me mandava fazer tudo isso, fiquei mais um pouco sentada, abraçando os joelhos e te acariciando com os olhos. As costas e ombros perfeitos, dos quais já sei os pontos fracos e que são caminhos pra minhas unhas nas horas de desejo. Então levantei quieta, tomei banho, coloquei o perfume que tu gosta e passei o café. Te ouvi levantar, ganhei beijo, tomei café conversando contigo, decidi o almoço. Tudo parecendo meio nebuloso ainda, minha tristeza e meu carinho andando juntos e me amparando, cada um de um lado me mantendo de pé. 
Teu sorriso lindo e beijo doce me dizendo que estava na hora de ir embora. E eu me perguntando por que não te mandei ir, antes que tu decidisse, mais uma vez me deixar.

domingo, 20 de março de 2011

Tem uma camisa em cima da cama e um cheiro nos travesseiros que estão me perturbando. Quando for embora, leva contigo todos os teus vestígios. 
Não aguento esses pequenos pedaços teus me lembrando que nunca te tenho por inteiro.

sábado, 19 de março de 2011

Melhor


Não sou egoísta. Apenas me dou prioridade.
Não sou volúvel. Me dou o direito de mudar.
Não estou mais velha. Amadureci.
Não sou porralouca. Sei curtir uma festa pela festa.
Não sou amiga de todo mundo. Conheço muita gente.
Não gosto de todos que conheço. Amo os que são meus amigos.
Não confio cegamente. Mas ainda acredito nas pessoas.
Não sei ser sexy. Mas sou sexual.
Não sou burra. Mas não sei pagar de intelectual.
Não sou intolerante. Só sei o que não me serve.
Não sou promíscua. Mas não renego meus desejos.
Não digo nunca. E sei que o pra sempre acaba.
Não faço mais nem 5 minutos de academia. Amo dançar horas a fio.
Não sei bem o que quero. Tenho certeza do que não quero mais.
Não digo que odeio. Declaro meus amores.
Não acredito em milagres. Mas anjos existem.
Não sou sozinha. Respeito a necessidade de solidão.
Não sei ser mandada. Respeito algumas regras.
Não sei ser controlada. Sei respeitar limites.
Não sou estilosa. Aprendi o que me cai bem.
Não sei perdoar com facilidade. Mas acredito em segundas chances.
Não sou nem de longe perfeita. Aceito meus defeitos.
Não sou hoje outra pessoa. Sou, apenas, melhor comigo mesma.