quarta-feira, 15 de junho de 2011

O que passou, passou



Tenho muito claro pra mim que cada época tem seus momentos bons. O que não quer dizer que todos estes fiquem na lembrança e muito menos que deixem saudade. 
Pessoas passam, momentos passam, problemas e alegrias passam. Há o que fique pra sempre ou por muito mais tempo, mas não vejo mais motivos pra lamentar o que ficou pra trás. Saudade se sente do que não deveria ter acabado, ou se acabou ou se foi antes do tempo. Saudade se sente de amigos que fazem parte de nossos dias mas não vemos tanto quanto gostaríamos. Saudade da família que não é possível ter sempre por perto. Saudade daqueles que se foram de repente numa viagem sem volta. 
Não sinto saudade do que fui ou do que vivi. Esses momentos me fizeram quem sou, me trouxeram até aqui, me possibilitaram novas descobertas, novos momentos bons, novos sentimentos. Essas coisas estão todas em mim. Não as menosprezo nem renego. As respeito muito, mas sei que passaram. Hoje, mais calma e possivelmente mais feliz, até me questiono porque corri tanto, falei tanto, calei quando não devia, briguei à toa. Mas sou resultado de tudo isso. E agora estou pronta para viver com muito mais serenidade o que a vida me trouxer. Algumas coisas talvez para sempre. Outras talvez, passageiras. Mas tudo será vivido plenamente, para que nada deixe saudade.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Bloqueio


Put it in your heart and keep it... 

Eu queria escrever mais. Juro que queria. Mas estou com bloqueio.
A felicidade faz isso. Bloqueia as palavras. 
As substitui por sorrisos bobos. Arrepios na nuca. 
Madrugadas de corpos enroscados. Sussuros e desejos satisfeitos. 
Mãos se procurando durante o sono. Pele quente encostada em outra que ferve. 
Olhares meigos. Intimidade e cumplicidade. Carinho e um pouco de medo.
Estou com bloqueio resultante de uma realidade tão doce que dispensa palavras. 
Porque viramos poesia em atos.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Vai




Acordei de um sono sobressaltado e olhei tuas costas perfeitas viradas pra mim no pouco escuro do meu quarto aquela hora da manhã. Teu cabelo de anjo no travesseiro. Sentei na cama no impulso de te acordar e, sem nem te dar tempo de pensar, pedir por favor, vai embora, não posso mais, não faz isso comigo. Não dorme mais abraçado comigo. Não toma do café que eu passar mais fraco porque tu não gosta forte demais. Não me dá beijo de bom dia quando a gente acordar e já for de tarde. Não fica pro almoço que eu fizer pra nós e que tu vai querer ajudar a fazer porque tu gosta de cozinhar tanto quanto eu. Não me deixa achar que isso é real, se na verdade não é.
Contrariando o desespero que me mandava fazer tudo isso, fiquei mais um pouco sentada, abraçando os joelhos e te acariciando com os olhos. As costas e ombros perfeitos, dos quais já sei os pontos fracos e que são caminhos pra minhas unhas nas horas de desejo. Então levantei quieta, tomei banho, coloquei o perfume que tu gosta e passei o café. Te ouvi levantar, ganhei beijo, tomei café conversando contigo, decidi o almoço. Tudo parecendo meio nebuloso ainda, minha tristeza e meu carinho andando juntos e me amparando, cada um de um lado me mantendo de pé. 
Teu sorriso lindo e beijo doce me dizendo que estava na hora de ir embora. E eu me perguntando por que não te mandei ir, antes que tu decidisse, mais uma vez me deixar.

domingo, 20 de março de 2011

Tem uma camisa em cima da cama e um cheiro nos travesseiros que estão me perturbando. Quando for embora, leva contigo todos os teus vestígios. 
Não aguento esses pequenos pedaços teus me lembrando que nunca te tenho por inteiro.

sábado, 19 de março de 2011

Melhor


Não sou egoísta. Apenas me dou prioridade.
Não sou volúvel. Me dou o direito de mudar.
Não estou mais velha. Amadureci.
Não sou porralouca. Sei curtir uma festa pela festa.
Não sou amiga de todo mundo. Conheço muita gente.
Não gosto de todos que conheço. Amo os que são meus amigos.
Não confio cegamente. Mas ainda acredito nas pessoas.
Não sei ser sexy. Mas sou sexual.
Não sou burra. Mas não sei pagar de intelectual.
Não sou intolerante. Só sei o que não me serve.
Não sou promíscua. Mas não renego meus desejos.
Não digo nunca. E sei que o pra sempre acaba.
Não faço mais nem 5 minutos de academia. Amo dançar horas a fio.
Não sei bem o que quero. Tenho certeza do que não quero mais.
Não digo que odeio. Declaro meus amores.
Não acredito em milagres. Mas anjos existem.
Não sou sozinha. Respeito a necessidade de solidão.
Não sei ser mandada. Respeito algumas regras.
Não sei ser controlada. Sei respeitar limites.
Não sou estilosa. Aprendi o que me cai bem.
Não sei perdoar com facilidade. Mas acredito em segundas chances.
Não sou nem de longe perfeita. Aceito meus defeitos.
Não sou hoje outra pessoa. Sou, apenas, melhor comigo mesma.



quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Sexo, julgamentos, amores e mentiras


"Take the time to get to know me..."


Ontem estava discutindo com um amigo a maneira como se vive hoje, onde sentimento e conhecimento são coisas que ficaram de lado, e o resto todo é supervalorizado.
Numa sociedade que se diz moderna e cabeça aberta, mulheres independentes e decididas ainda assustam, homens gentis são algo surpreendente, e as pessoas ainda são classificadas em "pra namorar" ou "pra ficar". E isso não parte mais apenas dos homens. As mulheres também andam fazendo muito essa "seleção". Absurdo.
Não nos damos mais o tempo de conhecer as pessoas, de ver além das primeiras impressões. As julgamos superficialmente pelo que vemos na noite, ou no trabalho, sem nos importarmos em conhecer tudo o que se passa atrás dos rótulos que colocamos. Em função disso, podemos estar perdendo a chance de conhecer pessoas ótimas, pessoas que valem à pena. No entanto, na minha opinião, quem não se dá o trabalho de conhecer os outros além do que os olhos vêem, dificilmente é alguém que também vale a pena ser conhecido.
Nisso entramos principalmente na questão do sexo e amores. Sexo é ótimo. Acho difícil quem discorde disso. Então, por que não fazer? Não acredito que seja preciso estar apaixonado por alguém para ter sexo. Desejos existem para serem satisfeitos, e sexo casual é uma ótima maneira de resolver isso. E isso não torna a pessoa melhor nem pior, não a torna mais ou menos apta a um relacionamento sério. 
Acho muito mais certa a pessoa que admite que faz sexo apenas por prazer, e depois, valeu, tchau, tchau, do que a pessoa que fica enrolando pra ir pra cama com alguém, querendo fazer pose de certinha, mas vive de relacionamentos vazios e cheios de traições. Porque as pessoas traem. Sobre isso não há dúvidas. E as pessoas mentem. Normalmente já desde o começo, quando fingem ser aquilo que a sociedade tem como ideal, apenas para serem aceitas.  A questão é: vamos admitir o que realmente somos e fazemos, ou vamos ficar botando banca de bonzinhos e sendo podres por baixo dos panos?
Julgamos mal o cara que vive na noite e fica cada vez com uma. Se o cara é solteiro e não deve nada pra ninguém, qual o problema? Talvez ele só não tenha achado alguém com quem tenha vontade de ficar mais tempo. Mas daí, nem nos importamos em conversar um pouco, em saber que tipo de som o cara ouve, se ele tem um papo interessante, se lê alguma coisa além de revista em quadrinhos. E sabe-se lá se você não está desperdiçando a chance de ser aquela menina com quem ele realmente gostaria de sossegar. Talvez ele pudesse ser não seu príncipe encantado. Mas sim um cara real que te fizesse verdadeiramente bem.
Julgamos pior ainda a garota que é independente demais e que não tem problemas em admitir que faz sexo por prazer, e não só por amor. Aí já gruda lá na testa dela o rótulo de ser uma pessoa pra "uma noite só". Procurar saber se ela é inteligente, boa profissional, se a leitura dela vai muito além da revista "NOVA - Cosmopolitan", se ela tem idéias que rendem boas discussões, pra que, né? Sentimentos, então, presume-se que ela nem tenha. Pois é. Mas aí você pode estar deixando de conhecer uma menina que talvez fosse um doce de namorada, daquelas que cuida muito bem de quem gosta e sabe ser ótima parceria pra tudo.
Mas, pra que se dar o trabalho e talvez perder tempo, não é? Continuemos assim, então, desperdiçando muito mais tempo em buscas intermináveis pela pessoa aparentemente ideal, em relacionamentos frustrantes e cheios de mentiras, que duram pouco e deixam mágoas que demoram a passar. Parabéns para nós, seres que gostamos de nos dizer modernos. Continuemos caminhando sem nunca sair do lugar. 

sábado, 30 de outubro de 2010

Você me dá nojo!

Ei, você aí!
Sabe, acho extremamente irritante pessoas que não sabem seu lugar.
Nada nos dá o direito de invadir o espaço do outro, e muito menos de querer tomar o que não é nosso. O que é de outra pessoa por direito. Seja por ter sido adquirido, conquistado, ou dado pela vida mesmo. Querer o lugar na vida de uma pessoa, que por natureza ou afinidade é de outros, também é absurdo. Diria que é pior.
Ver alguém que paga de santinho e queridinho para se aproximar e entrar na mente das pessoas me dá nojo. Odeio falsidade e cada vez que percebo isso em alguém me dá vontade de vomitar. Literalmente. E vontade de despejar também tudo o que fica entalado na garganta ao ver isso. Perder a compostura e falar talvez até demais. Pra ver se a criatura toma uma dose de semancol e volta pro lugar de onde veio.
Gente que se passa por coitadinho quando a coisa aperta, então... dá é vontade de enfiar a mão na cara. Odeio. Quero longe.
Gente assim estraga relacionamentos, amizades, até vidas. 
Pois. Você aí, chega de palhaçada. Porque o que me dá nojo também é quando as pessoas não admitem o que sentem e ficam fazendo joguinhos bestas. Dá a real de uma vez e deixa com que todos possam fazer suas opções e seguir com suas vidas.
Mas tem uma coisa: no meu conceito não tem mais volta. Eu acredito nas pessoas. Não é falta de boa fé. Só que eu acredito até que elas me provem o contrário. E quer saber? Conseguiste provar que não vale nem o esforço.
Pode parar com o papo furado e o teatrinho. Já saquei. E isso só me dá cada vez mais nojo!