domingo, 30 de agosto de 2009

Cansei. E para o mundo que eu quero descer.


Cansei de ter de pensar todo dia em que brinco combina com tal pulseira, com qual anel, e que roupa usar. Meu cabelo cansou da chapinha e eu também enchi de perder tempo fazendo essa porcaria que não resiste até o fim da festa. Assim como meu ânimo.
Depilar as pernas deixa tudo coçando, e eu nunca acho que tá 100% bom. Tudo isso pra desfilar de saia na balada e continuar sem ninguém pra passar a mão nessas pernas. E em tudo mais.
Maquiagem destrói a pele, fica borrada antes do fim da noite e mancha o travesseiro quando eu choro. Não estou vendo vantagem nenhuma mais em usar esse reboco todo.
Cansei. E pára o mundo que eu quero descer. Porque cansei de elogios que enchem os ouvidos e deixam todo o mais vazio. Terminam em tapinhas nas costas e na certeza de mais uma grande amizade. Aliás, melhor sossegar o facho e as vontades, porque, em função disso, provavelmente, ninguém que valha a pena enxerga aqui algo além de mais um dos parceiros da turma.
Coisas pela metade eu não quero mais. Sou pessoa e mulher por completo, e não mereço nada menos do que sentimentos e relações inteiras. Coisas pela metade não sustentam, são frustrantes e, óbvio, cansativas.
Cansada da minha falta de coragem pra dizer o que estou sentindo de verdade para quem realmente deveria ouvir, e assim vou enchendo meu coração e algumas noites com esses sorrisos lindos, que iluminam momentos e depois vão embora tão rápido quanto chegaram. Vão contigo porta a fora enquanto eu tranco na garganta a vontade de te pedir pra ficar mais um pouco, pra ir embora comigo, ou me levar junto contigo. Pega na minha mão que eu vou. Nem penso duas vezes.
Cansei disso tudo, e vou caminhar pra fazer vento e, quem sabe, deixar tudo isso pra trás.

Um comentário:

Marilia disse...

Conversas vazias...
Choro trancado...
Sorriso forçado...
Noites de agonia.

Cara borrada...
Cabelo despenteado...
Telefone ao lado...
Alma destroçada.

Tentativas em vão
Repetidos "não!"
E para o coração?
Mais uma vez solidão!